| A primeira etapa do projeto Cristo Redentor aconteceu em 2000, quando
a estátua foi recuperada e ganhou uma proteção especial,
que vai ser fundamental na sua conservação. O resultado final
pôde ser conferido por toda a cidade desde o dia 23 de março
daquele ano, um domingo de Páscoa. Na ocasião, foi acionado
o novo sistema de iluminação que valorizou o trabalho realizado
no monumento.
A ação começou com uma limpeza completa do monumento
e das escadarias do mirante. Em seguida, todas as superfícies da
estátua que estavam comprometidas foram consertadas e preparadas
para receber a nova iluminação. Os novos projetores destacaram
o tom esverdeado do mosaico de pedra-sabão que cobre o corpo do
Cristo Redentor.
Mesmo envolta por andaimes, a estátua foi palco para uma declaração
de amor ao Rio de Janeiro. O ator Marcos Frota e um grupo de alpinistas
profissionais formaram um coração verde e amarelo que brindou
os turistas que visitavam o Corcovado.
Mas é no interior da estátua que está a grande novidade
desta etapa: a proteção catódica. Trata-se de uma
rede de titânio que, quando eletrificada, atrai todo o sal da argamassa
do Cristo e protege o monumento contra a corrosão.
Proteção catódica
Para garantir a melhor conservação da estátua, foi
necessário buscar uma tecnologia utilizada na extração
de petróleo e na construção de navios e levá-la
para o monumento. Uma tela de titânio - doada pela empresa norte-americana
Corrpro Inc. - está revestindo todo o interior da estátua.
Trata-se da proteção catódica, fundamental para a
conservação do monumento, pois combate um poderoso inimigo:
o sal.
A argamassa que forma o Cristo é uma eficiente mistura de areia,
açúcar e óleo de baleia. Comum à época
da sua construção, a composição carrega também
um componente muito agressivo: o cloreto de sódio. Ao longo dos
anos, o sal da argamassa estava oxidando a estrutura metálica que
sustenta o concreto.
A proteção catódica entra em ação
quando a tela é eletrificada. Ela ganha carga positiva e atrai
as partículas de cloreto de sódio - isto é, o sal
- que são negativas. Dessa forma, a estrutura metálica que
sustenta a estátua fica livre da ação desse agente
corrosivo, que passa a se alojar em torno da proteção catódica.
Limpeza
Para lavar o Cristo Redentor, foi necessário recorrer a equipamentos
especiais, além de vários testes e análises laboratoriais.
A Kärcher - uma empresa alemã que possui um currículo
invejável de atuações na limpeza de patrimônios
históricos pelo mundo, como a estátua da Liberdade, nos
Estados Unidos - ficou encarregada da lavagem do monumento e das escadarias.
Todo cuidado era pouco para não comprometer o mosaico de pedra-sabão
que cobre a estátua. Com acompanhamento do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional - IPHAN -, e baseado no resultado
de diversos testes, ficou definido que seria utilizada apenas água
pura.
Até mesmo a quantidade de cloro foi dosada. A porcentagem adicionada
era necessária, apenas, para purificar a água, sem deixar
resíduos. Para a limpeza da estátua, foram usadas máquinas
especiais que controlam a pressão e podiam produzir um jato de
dez bar (unidade de medida de pressão) que, de tão suave,
é chamado de névoa úmida. Tudo isso, para evitar
um desgaste dos pequenos triângulos de pedra-sabão que revestem
o monumento.
Recuperação do mosaico
A primeira fase do projeto permitiu uma nova e cuidadosa análise
do monumento para procurar por problemas e falhas. A empresa Concrepoxi,
que apoiou o projeto, foi a responsável pela tarefa. Ao todo, os
técnicos recuperaram sete metros quadrados de superfície,
divididos em vários pontos espalhados pelo corpo do Cristo Redentor.
Um trabalho que exigiu sangue frio para enfrentar os andaimes e a altura.
Mas para muitos funcionários da obra, como José Cícero
Magalhães, que chama a estátua carinhosamente de "Santo",
essa foi uma tarefa inesquecível.
Tudo avaliado, foi preciso colocar um novo mosaico de pedra-sabão
nas regiões que sofreram reparos. É possível perceber
esse trabalho na alteração da cor em várias partes
do corpo da estátua. A diferença se deve à tonalidade
das novas pedras, que não possuem o mesmo verde original. Em se
tratando de patrimônio histórico, essas são marcas
da história e das ações de preservação
do monumento.
Nova iluminação
Uma parceria entre a General Electric - que doou o equipamento ao Cristo
Redentor - e a Rioluz - que desenvolveu o projeto de iluminação
- deixou o monumento mais visível e bonito. A estátua ganhou
lâmpadas multivapor metálico de 1000 watts. De última
geração e com elevado índice de reprodução
de cores, além de filtros que suprimem a radiação
ultra-violeta, elas emitem uma luz branca que valoriza o tom esverdeado,
original do Cristo Redentor.
O monumento também saiu ganhando durante o dia. As antigas estruturas
que suportavam os 44 projetores deram lugar a outras, menores, com apenas
16. O novo sistema tem ainda uma outra vantagem, pois proporciona uma
economia de 30% de energia elétrica. O projeto também definiu
um outro local para a instalação do equipamento: fora do
mirante e abaixo do nível do chão. O objetivo é destacar
apenas a estátua e não interferir na visão do Cristo.
A nova iluminação também vem acompanhada de uma
preocupação com o meio ambiente. Os projetores têm
filtros anti-ultravioleta e anti-infravermelho para reduzir a emissão
dessas faixas de radiação eletromagnética a níveis
inferiores àqueles produzidos pelo antigo sistema. Cuidados como
manter em duplicidade o conjunto de projetores também foram tomados.
Assim, uma eventual queima de lâmpadas não interferirá
no resultado final.
A falta de energia elétrica também não vai deixar
o Cristo Redentor apagado. Para evitar qualquer imprevisto, o novo sistema
é dotado de um gerador de 36 KVA, que aciona o conjunto de projetores
em stand by e suporta um período de até 50 horas.
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